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A vida contemporânea em pílulas - Modos de usar
 


Não, eu não morri.

 

Ainda.

 

Mas foi quase. Por pouco.

 

Me encontraram no buraco do tatu. Feito Saddam Hussein, que deus esteja. Estava lá com receio que homens em nome de um tal de Massimo Troisi me atacassem. Eu escapei ileso às ameaças de bomba, torpedos e diabo verde. Me resgataram, sobrevivi e garanto que isso não tem nada evento heróico. Mas como os grandes eventos ditos heróicos são todos mentirosos, talvez alguém erga um monumento em minha homenagem. Da minha parte, espero que seja um hino à feiura e faça o Borba Gato parecer uma Vênus.

 

Sim, meus caros. Estou aqui, vivo. Embora nada leve, nada livre, nada solto. Como sempre fui.

 

Mamãe tem cuidado de mim com esmero. Eu invejo como ela consegue cortar nabos e se equilibrar no andador.



Escrito por Masimo Trofisi às 21h43
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Até certo momento

Eu repetia a leitura do mesmo jornal

 

Durante certos anos

tudo se cristalizou

de tal forma e pensei que

 

fatos, fotos, fortunas e falências fossem testemunhadas e vividos por mim de tal maneira

                                                                                                                                    [que eu

 

me julguei protagonista de tais acontecimentos de anos atrás

 

Eu não me incomodava com as erratas ou

Que a data no canto do jornal

eram as mesmas.

Nunca me incomodei com tais questões

 

Até o momento em que, portas abertas,

Meu jornal resolveu divulgar meus erros de anos atrás em outros lugares

Eu

Permaneci sentado

À espera que ele volte e traga os meus erros para que eu os repita.



Escrito por Masimo Trofisi às 15h40
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Meyerowitz - Fallen



Escrito por Masimo Trofisi às 10h00
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Canto do míope

 

Não, não insista

Não há vagas

Não há nada

Não venha com suborno

sorriso

e mel

 

(mesmo que do outro lado da janela exista uma vista linda de largas pinceladas).

 

Não há nada

Nada neste poema que comece com um sim.



Escrito por Masimo Trofisi às 09h52
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Da crise criativa

 

Disseram que até Shakespeare foi tomado por uma. Que direi de mim, que sempre fui tão pouco criativo? Mas sim, volto e meia revisito este espaço entregue ao deus dará para contar mais umas trofisianas e fazer a alegria de poucos e bons leitores, como um certo rapaz que me xingou umas linhas bem mais abaixo e revelou toda a minha falta de conhecimento sobre arte contemporânea e mais blablablas.

 

Eu quero que a arte contemporânea e todos os seus artistas conceituais, pós-conceituais e neoqualquercoisa vão para a puta que pariu. Um lugar digno, muito digno.

 

Querem saber de uma coisa? Crise criativa a porra, meus caros.

 

Tudo isso é preguiça mesmo.

 

De resto, o mundo segue na sua caminhada lenta da mediocridade. E faço questão que minha vida ande na mesma velocidade, talvez um tanto mais lenta, um tanto mais mórbida. Continuo lucrando às custas da infelicidade alheia e, se continuar no mesmo passo, talvez vire um dia presidente dos EUA. Pois este sim, sabe como lucrar em cima da infelicidade alheia. E não precisa de QI para tanto.

 

Tenho dito. Feliz Natal para todos.



Escrito por Masimo Trofisi às 17h37
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Não se iludam. Não será agora que vocês, ilustres leitores, irão conhecer a verdadeira face de Masimo Trofisi. Se bem que este senhor é bastante simpático, não acham? Todos os dias olho no espelho e espero que esse momento glorioso da idade tenha chegado até mim. Ainda não. Mas já providenciei um revólver.



Escrito por Masimo Trofisi às 21h14
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Do mea culpa

 

Resolvi, certa vez, me tornar um ser humano digno de nota. De dólares, de referências para homens e mulheres de bem. Paguei contas em dia, driblei ações de despejo. Limpava os cinzeiros e mastigava chicletes anti-tabaco. Bebia sucos naturais, não devorava cadáveres no almoço e ajudava velhinhos atravessarem a rua. Cumprimentava vizinhos no elevador, me fiz visto pela chefia. Lia jornais, acessava sites de notícias e passei a ter opinião sobre tudo e rigorosamente tudo, da previsão do tempo, o trânsito, ações na bolsa, camada de ozônio às tendências da moda em São Paulo, Nova York , Paris e Milão. Eu finalmente me vi como centro de tudo nessa tomada de decisão anti-trofisi.

 

Olhei os dois lados da rua para ser atropelado.

 



Escrito por Masimo Trofisi às 12h01
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Masimo Trofisi convida

Não se trata de um talk show em que eu, Masimo e máximo, irei comandar. Apesar de ter recebido convites de inúmeras emissoras eu, modestamente, admiti: não, não sou capaz de tanto. Porém faço o convite aos meus dois leitores deste blog entregue ao deus dará a assistirem as apresentações dos grupos Obscura Poesia e Dona Bandalha. O primeiro fez questão de incorporar ao seu repertório alguns textos meus e de outros autores. O segundo são meus vizinhos de cortiço e irão apresentar o seu atentado cênico-musical-humorístico intitulado "Brinquedo de montar brinquedo". Talvez eu compareça. Caso mamãe deixe.

Onde? Bar Germinal R. Treze de Maio, 367

Quando? 01/06/07  a partir das 19h00

Mais sobre o Dona Bandalha? http://donabandalha.zip.net



Escrito por Masimo Trofisi às 13h54
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Servimos bem para servir sempre

 

Masimo Trofisi comprova: o amor está no ar. E alguém tem de dar jeito nesse mau cheiro.

 

 

Desde que comecei como gerente na Inferno são os outros, eu passei a me dedicar a um projeto muito caro para mim. Trata-se do seguinte: existem pessoas que nos fazem lembrar que, sim, a vida é insignificante e inútil. Que lembram que temos joanetes nos pés, que roncamos alto à noite, que adoramos a programação de domingo na TV, que não levamos relacionamentos adiante, que não conseguimos sonhar, cagar e completar as palavras cruzadas nível fácil da Coquetel.

 

Para estas pessoas fiz o seguinte. O cliente recebe um questionário sobre o ser detestável. Buscamos e analisamos os pontos fracos. A partir daí começamos o nosso trabalho sujo.

 

O de tornar a vida dessa pessoa um inferno.

 

Aguardem...



Escrito por Masimo Trofisi às 21h59
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Da capacidade em irritar – parte 2

           

Masimo Trofisi dá continuidade à triste história de F, o office boy usado como cobaia nos fins da Zona Sul de São Paulo, entremeada por alguns goles de uísque, coxinhas, putas do centro e um bocado de verborragia.

  

                                         

 

            Observava atentamente minhas unhas encravadas no pé. Poderia ter saído do serviço sabendo que, como gerente da O inferno são os outros, eu poderia aparecer e desaparecer como número de mágica. Como uma adolescente à espera da ligação do namoradinho, eu aguardava o telefonema do Office boy clamando por ajuda em um local propício como a Ponte do Socorro.

 

            Não tardou muito para que ouvisse um relinchar do outro lado da linha. Era o pobre.

 

F - Seu Masimo, não consigo passar daqui.

M - Quem fala?

F - Sou eu, seu Masimo,  F, Office boy.

M - Desculpe, F, a ligação está horrível. Poderia falar mais alto?

 

Mentira minha. Eu podia ouvir palavra por palavra daquela aberração.

 

F - (mais alto) Eu estou em um lugar esquisito, seu Masimo. Não vou entrar aqui.

M – Não entendi.

F – (gritando ainda mais alto) Eu não vou entrar aqui! Não vou!

M – Como?

F - ...



Escrito por Masimo Trofisi às 22h13
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M – Vai sim! Pode ser o lugar onde o vento faz a curva, onde Judas perdeu as botas, pode ser a casa do caralho, mas você vai se enfiar onde eu mandei! Não adianta dizer mais nada. Nem chorar, pedir colo da mãe. Sei passo a passo da cena ridícula que vai se desenrolar a partir de agora: vou te mandar a merda e desligar o telefone. Vou me dirigir para a garrafa de uísque e esvaziarei a metade. Olharei minhas unhas encravadas em cima da mesa pela milésima vez. Eu gosto das minhas unhas encravadas. Vou mijar. E, assim que estiver pronto para por fim a metade cheia da garrafa, você vai ligar de novo arrotando coca-cola e coxinhas com catupiry. Perguntarei: e não passou no centro para aquela punheta bem dada por uma puta velha e experiente? Não? Não tem aproveitado bem a sua função? Eu lhe dou uma moto, um roteiro facilmente de ser enrolado e a oportunidade de ver um mundo além de uma tela de TV ligada no seu videogame preferido e você vai me dizer que não foi ao centro da cidade comer as putas velhas, as putas novas, as mulheres sem Photoshop e de, quebra, alguns churrascos gregos e sucos grátis? Tudo isso é perfeitamente compatível com o seu salário e condição de Office boy. Escute, eu sinto cheiro da tua merda subdesenvolvida daqui. E foda-se onde você está de verdade. No Campo Limpo, em Higienópolis, na av. Paulista, na Aurora ou no cinema à espera da estréia do seu blockbuster adolescente com um pacote de pipocas. Eu sinto o cheiro da sua merda, seu puto. Quer saber o final da cena? Vou dizer na melhor voz falsamente paterna mais uma coisa. Um conselho de pai para filho, que quer o seu melhor. Meu garoto, você teve poucos professores filhos da puta o suficiente para dizerem o que vou dizer. A vida é uma merda agora? Não se preocupe. Piora. Mas estarei ao seu lado. Admirando tudo ao longe. Assim que você terminar de ser engolido, termino minha metade cheia da garrafa de uísque.

 

            Eu não disse tudo isso. Inventei para impressionar os leitores.

 

F – Seu Masimo, sou eu.

M – Vermes aprenderam a falar agora?

F – Bla bla bla bla bla.

M – Bla bla bla putaqueopariu bla bla bla.

F – (quase chorando) Bla bla bla! Bla bla bla!

M – Bla! Volte para cá imediatamente.

F – Eu não sei como voltar, blablazinho.

M – Bla bla bla! Bla bla bla bla, merda?

F – Bla bla bla.

M – Ótimo. Quero só mais uma coisa.

F – Que?

M – CO-XI-NHA COM CA-TU-PI-RY.

 

            Sinto a fúria juvenil na tecla end do celular. Foi um bom passatempo para minha primeira semana. Só faltava uma coisa.

 

            Uísque.

 



Escrito por Masimo Trofisi às 22h13
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Da capacidade em irritar – parte 1

 

Os primeiros dias de Masimo Trofisi no seu novo emprego e a primeira vítima de todo seu ódio, rancor e desprezo: um jovem Office boy.

 

 

Alexandre Órion

 

            Ele era jovem, com marcas de espinhas na cara e um ar levemente capa da Mad. Desajeitado, como boa parte dos jovens, não sabia onde enfiar braços, mãos e pernas que cresceram do dia para noite e deram um belo olé nas suas atividades cerebrais. Era seu primeiro emprego. Eram os meus primeiros dias no novo emprego

 

            Pensei. Era perfeito.

 

            Imediatamente contratei o jovem como Office boy para trabalhar na empresa O inferno são os outros. Ele seria uma excelente cobaia para meus projetos futuros e um pequeno divertimento inicial. Office boy é uma atividade que por natureza é irritante. Tanto para os jovens rapazes que cruzam a cidade e enfrentam filas das piores espécies (mas sempre dão um jeito de enrolar o chefe com a desculpa do trânsito para dar um oi na namorada, comer uma coxinha com catupiry e beber uns copos de cerveja) quanto para os transeuntes quase vítimas das barbeiragens das motos. Ele parecia ser tonto e ingênuo o suficiente. Quase um João bobo de carne e osso a espera de umas porradas.

            O salário era ridículo. Benefícios zero. Carteira assinada? Só depois de três meses. E olha lá.

 

            Passei ao meu João bobo o endereço de uma entrega (de uma caixa vazia) e todas as coordenadas. A rua não existia, mas eu o enviei para um bairro além da ponte do Socorro em um horário pouco aconselhável. O bairro também era muito pouco aconselhável também. Certifiquei se ele tinha celular e anotei o número. Estabeleci um tempo para a entrega: meia hora.

 

Era só o começo da epopéia do pobre diabo.



Escrito por Masimo Trofisi às 12h43
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Classificados: precisa-se de incapazes

 

Como a morte pôde render a Masimo Trofisi  um novo emprego e a descoberta de sua única capacidade.

 

 

Ainda colocarão minha foto como funcionário do mês

 

            Para mim, velórios são um importante acontecimento social. Enquanto se configura como um momento de profunda tristeza e de derramamento inútil de lágrimas para parentes e amigos do defunto em questão, para mim os velórios atestam uma coisa: o fim, mesmo que ainda breve (pois no mesmo segundo deve ter nascido mais uma ninhada de homo sapiens), de uma relação de parasitismo de um ser humano com o mundo. Pois sim, não pensem os mais otimistas que estamos numa relação simbiótica com as coisas. E não penso na natureza, apenas. 

 

            Eu, Masimo Trofisi, consciente do meu parasitismo, visito meus semelhantes na ocasião do adeus final. Porque muito possivelmente não iremos compartilhar dos mesmos seres que irão se fartar de nossas carnes pútridas. Aproveito, principalmente nos velórios realizados nas cidades do interior e das classes mais abastadas da sociedade da boca livre oferecida. Mas não pensem, sob hipótese alguma, que me faço às vezes de carpideira.

 

            Em uma dessas ocasiões fúnebres, me deparei com um ser tão ou talvez mais incapaz e sórdido que eu. Comentamos sobre o mau gosto reinante na sala e nas escolhas dos figurinos (pois sim, pareciam figurinos) das senhoras presentes. Falamos das velas, das flores, da choradeira geral, de esposas e ex-amantes se jogando no caixão, da infame gravata borboleta roxa do defunto em um volume que passou a incomodar os presentes. Nada daquilo era comovente. Pelo contrário. E, ao se tratar de um defunto qualquer, um ex-companheiro de pé sujo, bebedor, cheirador e enrolador de mulheres cujo nome não convém ser mencionado, de maneira alguma não poderíamos comemorar seu falecimento com lágrimas e lenços de papel. Claro que não. Fizemos à moda do defunto, com muita fanfarronice. Chamamos prostitutas, agiotas a quem ele devia, mendigos e  todos os vagabundos do bairro  para dançar e cantar sobre o caixão de madeira barata que encomendaram ao nosso pobre ex-colega.

 

            Fomos expulsos, é claro. Por difamarmos a reputação de um santo homem e abalarmos um momento delicado para a nobre família.

 

            Pessoas de pouco espírito, eu diria.

 

            Entretanto, esse acontecimento memorável serviu para abrilhantar a minha vida profissional. Há muito estava entediado com o meu serviço burocrático como funcionário público. Sei que me aproveitei, e muito, desses momentos de pleno tédio para comentar aqui uma ou duas incapacidades minhas.  Acredito que em todos os meus anos de funcionalismo público cuidei bem de minhas tarefas. Afinal, pouco fiz. Mas mal eu podia imaginar que uma tarde de fritar cérebro de mulas e de comemoração da morte de um ex-bebum poderiam me dar o emprego dos sonhos.

 

            O espírito de porco com quem conversei durante o velório é dono de uma empresa notável. Responsável por fazer coisas geniais e originalíssimas, eu diria. Depois da minha demonstração ainda que involuntária, pois fiz tudo aquilo por prazer e não por um novo emprego, eu ocupo agora o cargo de gerente. Pasmem, leitores do blog. Sou gerente. Mamãe ficou contentíssima e, por pouco, quase não se desequilibrou de seu andador e caiu do 15o. andar abaixo. O serviço que presto naquela agência é o dar lições sobre como irritar as pessoas. Isso mesmo, foi descoberta a minha grande capacidade. Se um dia algum de vocês se incomodar com o suporte técnico de qualquer coisa, com multas da CET cobradas indevidamente, gerentes de banco e qualquer outra coisa que a vida contemporânea possa lhe presentear com dores de cabeça, tenha uma certeza. Há ali o dedo de Masimo Trofisi.

 

OBS: Ainda estou disponível para animações em velórios. Caso queiram me contratar, falem com mamãe. Ela tem cuidado da minha agenda com esmero e já tenho alguns eventos agendados para este mês. Posso ainda reunir trabalho e lazer: tenho um farto material sobre como irritar pessoas até a morte. Talvez faça desse objeto abjeto de estudo para um doutorado.



Escrito por Masimo Trofisi às 21h15
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Mais uma da série

Let´s do it...

...Let´s fall in love



Escrito por Masimo Trofisi às 18h45
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Trofisi - aquele incapaz de amar ataca novamente

Let´s do it

let´s fall in love



Escrito por Masimo Trofisi às 16h47
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