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A vida contemporânea em pílulas - Modos de usar
 


William Klein



Escrito por Masimo Trofisi às 21h19
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Da incapacidade fisiológica

 

            Caros pudicos, ignorem esse trecho. Faço agora minha incursão no mundo das escatologias (não batizei esse trecho de incapacidade escatológica por motivos óbvios). E, para quem veio sedento para este fragmento à procura de detalhes pouco heróicos da minha vida sexual, esqueça. Procure um médico, diria Edson Arantes do Nascimento. Eu procurei – nada adiantou.

            Um problema que tem tomado minha pacata vida de funcionário correto e ser sedentário são as minhas poucas – porém marcantes - idas ao banheiro. Os chamados de emergência acontecem nos melhores momentos de sonhos e, ai, não há Marilyn Monroes, virgens de Alá que consigam me manter na cama nesses momentos. Para os seres normais e altamente capazes, uma ida ao banheiro resolveria este problema. Não basta ficar à espera por intermináveis minutos. Não basta fazer esforços homéricos para voltar aos braços de Marilyn. Não basta em apenas uma noite depois de – pasmem – oito idas ao aconchegante depósito de fezes, só conseguir ver algumas chances de sucesso à vista na 7ª tentativa. Que foi, uma verdadeira obra dos deuses. Uma bolotinha marrom, boiando nas plácidas águas da privada, se preparando para encarar aventuras esgoto e Tietês abaixo. Na 8ª tentativa, com pompa e circunstância, um jato de merda e a sensação de alívio. Mas, nessa hora, Marilyn já teve sua overdose de barbitúricos (ou foi assassinada pela CIA?) e eu, solitário e desenfezado retorno aos meus lençóis por breve 30 minutos, pronto para uma segunda-feira gorda no escritório. 

 



Escrito por Masimo Trofisi às 13h05
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Escrito por Masimo Trofisi às 10h23
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            Não sou um exemplo maior em roubar doces da mão de crianças.

 

Meu nascimento foi um notório fracasso e, ao que tudo indica, morrerei da mesma maneira. Para as pessoas do meu convívio, aquelas que conheço enquanto fazemos a milésima pausa para o café perto do fim do expediente, nascer, abrir os olhos e chorar com as palmadas do médico são exercícios simples. No meu caso, as minhas incapacidades vão além de um embaraço ao tentar manusear os pauzinhos no restaurante japonês. Acredito que minha total inabilidade para coisas e pessoas tenha adquirido proporções nunca antes vistas e caminha para o terreno das patologias. Não começarei fazendo um histórico a partir da minha infância – que se fodam as psicologias e possíveis explicações.  Hoje, nem os museus vivem mais de passado. O tempo presente é o que realmente me interessa.

            Tenho incapacidades fisiológicas, sociais e outras inomináveis. Deixo essa tarefa aos capazes leitores para nomear o que julgo ser inominável. Se é que há leitores. Comecemos então a falar de cada incapacidade em forma de pílulas a serem consumidas sempre antes do café da manhã (para começar bem o dia) ou, se preferirem, em fragmentos para serem impressos e lidos no ônibus enquanto o ponto não chega e a vida se congestiona.



Escrito por Masimo Trofisi às 07h54
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