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Lee Friedlander



Escrito por Masimo Trofisi às 07h47
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Da incapacidade em inter-relacionar-se

 

            Devo ter visto, de relance, em alguma matéria de revista, outdoor ou na boca de alguma celebridade instantânea metida a inteligente que o inferno são os outros. Desconhecendo a verdadeira autoria da frase (pois sou um ignorante confesso) e, tirada de todo os seu contexto original, digo que, sim, o inferno são os outros.

            Fujo, com todas as minhas forças que restaram da meia-idade (idade do Lobo a porra), dos simpáticos vizinhos que me cercam no prédio, de seus cachorros, tartarugas, crianças a tirar catota do nariz. Fujo.

O elevador, aquele espaço de X metros quadrados é meu, me pertencem no trajeto do térreo para o 17º andar. De que valem o bom dia dado sem vontade e os minutos perdidos a olhar o teto, o chão e a barata subindo nas pernas da velha do 73? Certo dia, feito animal, mijei elevador de onde moro.  Glorioso e soberano sobre o meu terreno recém-conquistado. E vitorioso, ao saber que meu crime fora perfeito: não houve testemunhas. Provavelmente o moleque do 132 deve ter tomado injustamente uma palmadas da mãe severa.

            A mesma sensação me acomete com o elevador de onde trabalho. Às vezes, sem a suspeita do chefe, faço passeios nos horários em que sei que há pouco movimento. Só não ouso mijar. Claro, há câmeras me sorrindo por todos os lados e o risco em perder o emprego também.

            Reivindico o direito em ter o elevador a minha inteira disposição, sem a presença de outros. Pois se o inferno são os outros que eu curta as chamas do meu próprio inferno sozinho, na forma retangular e claustrofóbica de poucos metros quadrados que ascende e descende toda minha sordidez, rancor e egoísmo.         



Escrito por Masimo Trofisi às 19h48
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